A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. (Chaplin)

quinta-feira, 24 de abril de 2014

#Cinema 01 - Anna Karenina

Título: Anna Karenina

Direção: Joe Wright

Duração: 02h11min

Gênero: Drama

Lançamento: 15 de março de 2013

Sinopse: Século XIX. Anna Karenina (Keira Knightley) é casada com Alexei Karenin (Jude Law), um rico funcionário do governo. Ao viajar para consolar a cunhada, que vive uma crise no casamento devido à infidelidade do marido, ela conhece o conde Vronsky (Aaron Johnson), que passa a cortejá-la. Apesar da atração que sente, Anna o repele e decide voltar para sua cidade. Entretanto, Vronsky a encontra na estação do trem, onde confessa seu amor. Anna resolve se separar de Karenin, só que o marido se recusa a lhe conceder o divórcio e ainda a impede de ver o filho deles. (Retirada do Adoro Cinema)

Avaliação: 4 estrelas


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Anna Karenina é uma explosão de burrice e egocentrismo, isto é claro, falando da personagem e não da obra em si. Eu não sendo formada em nada, posso falar exatamente o que eu achei sobre o filme e tudo, sem precisar me ater a formalidades ou a essa coisa de "ser cautelosa". E eu poderia vir aqui para dizer "é uma porcaria" se quisesse, mas não vou fazer isso, dentre outros motivos, porque seria indelicado - e eu detesto indelicadeza - e porque eu simplesmente não posso falar que esse filme é uma porcaria já que ele é esplêndido!

Acho que a coisa que mais me chamou a atenção nesse filme não foi a história e sim a forma como ela foi contada. Anna Karenina é feito como se fosse uma peça de teatro, existe um palco que é sempre modificado para abrigar a casa dos Karenin, o teatro (de fato), a moradia das senhoras da sociedade, a estação de trem e tantos outros lugares que aparecem no decorrer da história. E tudo isso aos olhos do espectador para que ele tenha a oportunidade de se encantar ainda mais com o que seus olhos vêem. 

A forma teatral, é claro, é uma metáfora para dizer como a sociedade vivia sempre representando. Já as restantes cenas gravadas ao ar livre, a representação da vida da gente do campo mostrando o que é a verdadeira realidade, o que é de verdade.

Direção, edição, atores, eu tenho a pequena grande impressão de que tudo nesse filme é perfeito. A história foi muito bem adaptada (e aqui vos fala alguém que nunca leu Anna Karenina, mas que ouviu a opinião de quem já leu e garantiu isso) e Joe Wright teve a capacidade de encantar até as almas mais duras com a beleza cinematográfica desse filme.

E mesmo que você não goste de Anna Karenina, mesmo que você odeie essa personagem polêmica e burramente apaixonada, mesmo que você se irrite com a aparente santidade de Alexei Karenin, mesmo que um milhão de fatores o afastem desse filme com todas as garras, você deve assisti-lo porque os seres humanos foram feitos para apreciar o belo e Anna Karenina é nada mais do que a singela beleza que o cinema pode nos oferecer. 

Eu recomendo Anna Karenina porque é a beleza da Arte (e do Jude Law) e a oportunidade que você tem de aprender a julgar a verdadeira essência de um filme de verdade. (E também porque, para quem não conhece a história e fica ansiando avidamente pelo final, eu garanto que é daqueles filmes cujo o fim vale todo o esforço que você teve durante as duas horas de filme passando raiva com esses personagens facilmente irritáveis).



quarta-feira, 16 de abril de 2014

#Livro 03 - A Máquina do Tempo (H. G. Wells)

Título: A Máquina do Tempo

Título Original: The Time Machine

Autor: H. G. Wells

Gênero: Romance de Ficção-Científica

Lançamento: 1895

Idioma: Inglês


Sinopse: A Máquina do Tempo: a mais espantosa das invenções, capaz de levar seu criador a uma viagem surpreendente através de milhares de anos de transformações sobre a Terra. Novos seres ocupando a superfície e as entranhas do planeta, vivendo numa incrível civilização do futuro, onde a luta pela vida é implacável. O final dos tempos e a agonia do sistema solar com o colapso de nossa estrela, prestes a explodir. Uma história de aventura e emoções inimagináveis, esta obra também é uma reflexão sobre os valores de nossa sociedade e sobre o mundo que construímos hoje. (Retirado do Skoob)

Avaliação: 3 estrelas

* Li a versão da editora Alfaguara, com 148 páginas, traduzida por Braulio Tavares.

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Herbert George Wells, mais conhecido como H. G. Wells, foi um dos pioneiros no quesito viagens no tempo, e com uma singularidade ímpar, ele nos conta nas pouco mais de 140 páginas, as aventuras vividas por um cientista sem nome que constrói uma máquina do tempo e viaja para o distante futuro de 804.701.  

Ao contrário do que é esperado por um livro com um título como esse, Wells não se detêm muito na descrição da máquina em si, preferindo partir do ponto de que ela está construída e o personagem está nos contando como foi sua experiência viajando por ela e encontrando futuros que ele não poderia imaginar.

A Máquina do Tempo carrega muitas questões sociais, como quando o viajante chega no futuro e se depara com uma sociedade dividida entre duas evoluções distintas dos seres humanos, os Eloi, seres diminutos e afáveis que não possuíam qualquer sinal de malícia ou preocupação, e os Morlock, criaturas do subsolo que pareciam selvagens. Os Eloi, seriam o que ele interpretou como a classe social mais alta, onde em um passado remoto haviam se apropriado da ausência de violência na sociedade e enviado os seres de classe social inferior, Morlock, para trabalhar nos subsolos em condições precárias na produção de todos aqueles produtos necessários para a sua sobrevivência.

O que ocorre no tempo em que o viajante do tempo visualiza essa nova sociedade, é que, de alguma maneira, a forma de alimentação dos Morlock se torna escassa e eles retornam ao primitivismo alimentando-se de seus semelhantes que, outrora, lhes consideraram seres inferiores, os Eloi.

Em todo o livro há a impressão de que a imagem dos Eloi e dos Morlock e de toda a sociedade do futuro são metáforas para descrever a sociedade em que viveu Wells, mas que também pode descrever a nossa sociedade atual. No futuro, tanto Eloi como Morlock não têm nenhum conhecimento acadêmico e são, praticamente, vazios de inteligência. Todo o conhecimento adquirido durante anos pela Humanidade se extingue transformando os descendentes do Homem em seres primitivos.

Com todas essas observações, eu posso concluir que, muito além de mais uma obra de ficção-científica, A Máquina do Tempo é uma obra para se ler e refletir a respeito dos nossos conceitos e do rumo que vem tomando a nossa sociedade. 



Adaptação cinematográfica de 1960.


Adaptação cinematográfica de 2002.

domingo, 13 de abril de 2014

#Livro 02 - A Filha do Escritor (Gustavo Bernardo)

Título: A Filha do Escritor

Autor: Gustavo Bernardo

Gênero: Romance

Lançamento: 2012

Idioma: Português

Páginas: 148

Editora: Vida Melhor


Sinopse: Uma bela paciente numa clínica de doentes mentais. Um médico acostumado a lidar com dores físicas e da alma de seus pacientes aos poucos vê que essas também se tornam suas. Seria seu diagnóstico imparcial ou a atração por aquela que se diz filha de Machado de Assis o que influencia? Um romance tocante, no qual um homem vê-se reduzido e enredado entre os limites da doença psiquiátrica e da memória, que reconstrói e transforma a realidade.

Avaliação: 3 estrelas


***

Loucura, loucura, loucura... ! Isso é o que melhor define as 148 páginas de A Filha do Escritor. O livro é narrado em primeira pessoa pelo Dr. Joaquim e se inicia quando uma moça sem identificação aparece em uma clínica psiquiátrica dizendo ser filha de Machado de Assis, escritor falecido há mais de 100 anos. Rapidamente o médico diagnostica a paciente como esquizofrênica, mas percebendo diversas peculiaridades no seu quadro passa a se empenhar muito mais no caso da mulher do que em todos os outros pacientes do hospital.

A narrativa tem uma particularidade muito interessante, principalmente, pelo fato de que o narrador a todo momento conversa com o leitor como se eles estivessem cara a cara. Parágrafos como o que vem a seguir são bastante frequentes no decorrer da obra:

"Está me acompanhando? Seu sorriso levemente irônico me incomoda, como se essa história não fosse novidade para a vossa senhoria. Mentira, decerto nunca a leu. Você não tem cara de ser um bom leitor. Então, por favor, continue me acompanhando."

O livro é brilhante em sua simplicidade. Pouquíssimos personagens, uma estória curta e bem contada, apesar de haver, é claro, aqueles defeitos pequenos porque ninguém é perfeito, não é? Em alguns momentos da narrativa fica cansativo ler apenas sobre a obsessão do doutor pela aparência física da paciente (que é descrita como sendo extremamente bonita), mas esses momentos não se perduram por muito tempo porque logo o doutor já está nos chamando a atenção, dizendo que não gosta de nossas piadas e indo apanhar na gaveta a famosa garrafa de uísque.

Confesso que eu já imaginava o final (que, aliás, é muito parecido com o de uma estória minha que escrevi algum tempo atrás), mas mesmo assim, não deixa de ser interessante ler sobre ele pelas palavras do próprio escritor/personagem.

É um livro recomendado para quem se interessa por disfunções mentais, Machado de Assis e paixão possessiva.