A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. (Chaplin)

segunda-feira, 5 de maio de 2014

#Livro 05 - O Fantasma da Ópera (Gaston Leroux)

Título: O Fantasma da Ópera

Título Original: Le Fantôme de l'Opéra

Autor: Gaston Leroux

Gênero: Romance

Lançamento: 1909

Idioma: Francês

Sinopse: É noite de gala na Ópera de Paris. Os Srs. Debienne e Poligny se despedem do cargo de diretores da Ópera com um último recital. Porém, nos corredores do teatro, uma figura misteriosa caminha como uma sombra e desaparece sempre que é vista. No subsolo, o maquinista-chefe é encontrado morto. Esse é o legado que os antigos diretores deixam a Armand Moncharmim e Firman Richard: a perturbadora presença do fantasma da Ópera. Ao ignorar os caprichos do Fantasma, os novos diretores têm que lidar com uma trágica seqüência de eventos que culmina no desaparecimento repentino da cantora lírica Christine Daaé. É em meio a esse clima de suspense e de terror que somos levados ao labirinto sombrio que é o subsolo da Ópera de Paris. (Retirado do Skoob)

Avaliação: 4 estrelas

* Li a versão da Editora Ática, com 324 páginas, traduzida por Mário Laranjeira. É a versão mais completa traduzida para o português.

***

O Fantasma da Ópera é precedido pela sua reputação. Sucesso no cinema, teatro e, até, em musicais muito bem sucedidos, está é uma daquelas obras que todos já ouviram falar, mesmo que não saibam, de fato, sobre o que se trata o dito livro. (Isso quando o bendito sabe que existe um livro). É muito comum as pessoas pararem você para dizer: "tem um musical!", quando percebem que você está lendo o livro, como se você não o soubesse. Como se tivesse dinheiro para ir a Broadway ou tivesse permanecido trancado em uma caverna nos últimos cem anos. De qualquer maneira... Ironias à parte, aqui começa a 'crítica', se é que isso pode ser chamado de crítica já que não me vejo com diploma nenhum, além do diploma de 'Cara-de-Pau', para julgar alguma coisa.

Este é um romance que não tem como principal atrativo o romance em si. Claro que há aquelas doses excessivas de juras de amor, culpa de Raoul e Christine que não calam a boca afetuosa um só minuto quando estão em presença um do outro (aliás essa é a única parte no livro em que eu sentia vontade de me jogar de uma ponte para não ouvir/ler tanta bobeira). Mas, de qualquer forma, o romance pueril entre os dois jovens é total e completamente ofuscado pelo mistério d'O Fantasma da Ópera. O mistério que ronda a boca de todos aqueles que frequentam a Ópera de Paris no século XIX.

Erik é um personagem emblemático, misterioso, inteligente, possessivo, mau-compreendido e excessivamente apaixonante. O Fantasma/Amante de Alçapões/Anjo da Música/Erik adotou este nome por falta de um outro, não que lhe faltem títulos que facilmente substituiriam um nome tão comum quanto este. O sombrio personagem é apresentado por diversas perspectivas tornando assim toda a aura ao seu redor instigante. No início é uma lenda, depois uma assombração, finalmente, um ser divino e, posteriormente, um gênio amaldiçoado pela lastimável aparência de sua face.

Como disse o próprio fantasma: "Só me faltou ser amado para ser bom!" Embora seja comprovado que o dito fantasma seria o autor de terríveis crimes (como o próprio sequestro da tolinha da Christine Daaé), ainda fica a sensação de que ele não teve melhores chances da vida, tudo por conta de sua feiúra, é claro. 

Durante a leitura é impossível não se perguntar sobre o que seria de Erik se ele fosse bonito. Um renomado arquiteto? Um respeitável mágico? Alguém que, com toda certeza, seria facilmente reconhecido pela sua genialidade e não precisaria se esconder debaixo da ópera por ser desagradável aos olhos das pessoas. O retrato de Erik é uma versão sombria da intolerância da nossa sociedade desde épocas remotas. Faz muito tempo que as pessoas se preocupam demais com o exterior e esquecem-se completamente do interior.

Dentro da caveira deformada do fantasma havia uma voz que embebia a todos, um gênio que domava todas as portas, um pobre infeliz que sofria por um amor do qual nunca poderia desfrutar porque era feio. Erik é o início, meio e fim deste livro, seu mistério envolve cada palavra contida durante toda a obra. É, de fato, difícil parar até a última página.

O Fantasma da Ópera é marcado por personagens marcantes e instigantes, como o Persa e a sra. Giry, e acontecimentos tragicamente divertidos como o são todas as artimanhas tramadas (ou não) pelo fantasma no intuito de mostrar aos novos diretores, Moncharmin e Richard, quem é que realmente manda na Ópera de Paris. 

Com deliciosas narrativas em ambientes escuros e sombrios, esse livro pode facilmente ser considerado como sendo uma obra gótica, por misturar com tanta destreza romance, horror, ficção, mistério, tragédia e o ingrediente secreto que é a narrativa jornalística de Leroux. Para quem gosta de um bom mistério e um amor tragicamente belo, esse livro é perfeito!




Adaptação cinematográfica de 2004.

Nenhum comentário:

Postar um comentário