A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. (Chaplin)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

#Livro 08 - Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)

Título: Crime e Castigo

Título Original: Prestuplenie i Nakazanie

Autor: Fiódor Dostoiévski

Tradutor: Paulo Bezerra

Lançamento: 1866 [originalmente]

Idioma: Russo

Páginas: 568

Editora: 34

Sinopse: Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petesburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César e Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para perservar sua dignidade contra as várias formas da tirania. (Retirada do Skoob)

Avaliação: 5 estrelas

***

Crítica


Esse é daqueles livros que te deixa, literalmente, de boca aberta.

Crime e Castigo não é apenas um livro sobre homicídio e suas consequências, é um livro sobre a lucidez da loucura e sobre as artimanhas arquitetadas pela mente humana. Raskólnikov, o personagem central da trama e autor do dito homicídio, é um labirinto de possibilidades. As nuances desse personagem são tantas que fica até difícil a descrição em palavras, a não ser, é claro, que você seja Fiódor Dostoiévski e tenha completo domínio perante estas nobres companheiras dos literatos. Raskólnikov é um intelectual, um louco, um idealista, um nobre, um niilista, um miserável, um covarde, um calculista, um arrependido, um erro, uma infinidade de alegorias. 

O livro se inicia com uma caminhada sem rumo de Raskólnikov que acaba o conduzindo a uma taberna, onde ele conhece o ex-funcionário público Marmieládov, um bêbado miserável que senta-se em sua mesa e, de uma hora para outra, começa a lhe narrar toda a sua história de vida (fato que não faz sentido a princípio... repetindo, a princípio). Já nesse início é possível de ser perceber que essa narrativa ainda vai possuir muitas reviravoltas. No decorrer do livro durante vários momentos nós temos a narrativa intercalando entre o protagonista e outros personagens que aparecem durante a narrativa apenas para nos instigar mais, entre eles Razhumíkin (ex-colega de universidade de Raskólnikov) e Svridrigáilov (que já é outra história...). Essa divergência de pontos de vista só contribui para enriquecer a narrativa e esclarecer pontos fundamentais da história, onde são plantados outros mistérios e reviravoltas que são capazes de te prender até o final da história. 

É impossível de se ler Crime e Castigo sem se pegar completamente fascinado pelas absurdas teorias de Raskólnikov (e dos outros tantos personagens). A mais famosa, e que é a responsável pelo regimento de todo o livro, é a "teoria do homem extraordinário", que tem como ideia central a de que homens como Napoleão (e Raskólnikov é particularmente fascinado por este) passaram por cima de conceitos há muito pregados na nossa socidade e que foram absolvidos destes pelos atos que vieram a consumar posteriormente. Na prática, ele dizia que um homem (da classe dos "homens extraordinários") poderia praticar atos considerados errados - e ou - cruéis (como matar, por exemplo) e depois recompensar a todos com os benefícios que aquilo traria. Mas é claro que essa privilegiada casta dos "extraordinários" era consideravelmente pequena e que a maior parte do 'rebanho' terrestre é, na verdade, de indivíduos "ordinários", ou seja, que existem apenas para dar continuidade a linhagem do homem até que venha a existir um homem "extraordinário".

Raskólnikov, obviamente, considerava-se um homem "extraordinário", e por isso, sua maior preocupação depois de cometer o crime não era causada por um possível arrependimento, mas sim pelo seu medo de ser descoberto. Mas dizer que Raskólnikov é apenas um jovem perturbado, com pouco dinheiro e muita inteligência é um pouco vago. O caráter do personagem é algo que, por diversas vezes, se torna questionável. É natural de se pensar que uma pessoa que matou outra só pode ter lados ruins, mas Dostoiévski consegue nos mostrar que, apesar do fatídico momento macabro protagonizado pelo rapaz, ele é sim capaz de muitos atos totalmente opostos e com intuito benevolente. 



Personagens

Raskólnikov, ou Ródion Romanovitch, ou tantos outros nomes que aparecem para designar esse mesmo personagem, é, como já foi possível de se perceber, o personagem principal e talvez o mais fantástico (de todos os tantos fantásticos) personagens deste livro. Ele é hipocondríaco, passa a maior parte do tempo doente (o que, de verdade, trás uma aura singular a todo esse caráter sombrio do livro), aprecia a solidão, não gosta muito de falar e não costuma prestar atenção na fala dos outros. Irritadiço, um pouco insano e excessivamente inteligente. Não costuma beber, e não é particular apreciador da libertinagem, mas não costuma julgá-la, de fato. Tem um caráter forte - e como já dito - questionável, visto que ele foi capaz de matar uma - duas - pessoa (embora esse fato se mostre tão mais amplo no decorrer da obra) e ainda assim doar enormes quantias de dinheiro (que ele mesmo precisa) para pessoas mais necessitadas.

Razhumíkin, ou Dmitri Prokóvith, é um jovem que, assim como Raskólnikov, abandonou a universidade por falta de recursos. Razhumíkin é, provavelmente, o personagem que mais me encantou na história e não porque ele seja o estereótipo perfeito de príncipe encantado, mas porque ele é o estereótipo perfeito do que é um ser humano. É um rapaz com fortes princípios, idealista, leal e (até onde é possível) responsável, mas com um grande fraco pela bebida que ele luta para controlar. 

Sônia, ou Sófia Semeónovna, é filha do ex-funcionário público Marmiéladov e é levada a se embrenhar em um mundo duvidoso para conseguir o sustento da família. É descrita como uma jovem mocinha franzina, muito tímida, não especialmente bonita, mas capaz de chamar atenção de muitos homens. É dedicada e fortemente ligada a Deus (fato que chega a incomodar o protagonista em dado momento da história).

Dúnia, ou Avdótia Romanóvna, é a irmã mais nova de Raskólnikov. É uma jovem inteligente e decidida que se muda com a mãe para São Petersburgo depois de arranjar casamento com um senhor a quem o irmão não demonstra particular simpatia. Trabalhou como governanta enquanto estava no interior e foi vítima de uma acusação envolvendo o marido de sua patroa, da qual foi posteriormente abssolvida. 

Svidrigáilov é um homem misterioso que acabou de perder a esposa - que era, no caso, a antiga patroa de Dúnia - de forma um tanto trágica. Ele chega em Petersburgo um pouco depois da irmã de Raskólnikov e suas intenções são um prato cheio que entrete o leitor até os últimos instantes. 

Piotr Petrovich é um homem de negócios que se oferece para casar com Dúnia depois que acontece um escândalo envolvendo o nome da mesma na cidade onde antes residia. (Particularmente odiável este personagem, diga-se de passagem)

Catierina Ivanóvna é a esposa de Marmiéladov. É tísica (tuberculosa) e mãe de três crianças pequenas (além de fazer as vezes de mãe para sua enteada Sônia). Vive delirando, mas, apesar de tudo, nota-se ser uma pessoa de caráter nobre. 

Nota¹: Desculpem-me se algum nome estiver escrito errado (sabe, o russo ainda me confunde).



Conclusão

Dentre tantas coisas, Crime e Castigo é também um prato cheio em se tratando de crítica social. A grande parte dos personagens do livro vive em condições de extrema pobreza, fato que Dostoiévski sabe expressar com inigualável mestria. As descrições de ambiente são espetaculares e trazem o estado psicológico dos personagens impregnado. Enquanto você percorre os olhos pelas linhas que descrevem o cubículo abafado de Raskólnikov é como se estivesse percorrendo os olhos pelo constante estado de sufocamento expressado pelo personagem por se encontrar em uma terrível encruzilhada.

Por fim, Crime e Castigo é indicado para quem aprecia a exploração do estado psicológico dos indivíduos, intensas críticas sociais e, acima de tudo, uma boa leitura. 

Au revoir!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

#Cinema 02 - A Bela Junie

Título: A Bela Junie

Título Original: La Belle Personne

Direção: Christophe Honoré

Duração: 1h30min

Gênero: Comédia Dramática

Lançamento: 17 de setembro de 2008

Sinopse: Junie (Léa Seydoux) é uma garota de 16 anos que se mudou após a morte de sua mãe. Ela passa a estudar na mesma turma que seu primo Matthias (Esteban Carvajal-Alegria), que a apresenta aos demais colegas. Todos os garotos logo desejam sair com Junie, mas ela escolhe o mais calado de todos, Otto Clèves (Grégoire Leprince-Ringuet). Porém logo Junie descobre o grande amor de sua vida: Nemours (Louis Garrel), seu professor de italiano. (Retirada do Adoro Cinema)

Avaliação: 2 estrelas


***

La Belle Personne, ou em português, A Bela Junie, é um filme que ansiei durante muito tempo para assistir. Meu primeiro contato com ele foi dos mais intensos possíveis, estava trocando de canal na televisão, como bela desocupada que sou, e resolvi parar na TV Cultura por conta de uma música francesa que tocava naquele momento. A música vinha acompanhada de uma cena comovente e chocante e, no mesmo instante, decidi que eu iria assistir aquele filme o mais rapidamente. 

Pois bem, passaram-se cerca de três anos desde aquele dia e eu finalmente pude assistir o tal filme e compreender a tal cena. E... Certo. Não acredito que esperei três anos para isso! >:(

Como já é possível de se notar na própria sinopse, A Bela Junie não é um prato cheio em originalidade. Digamos que se a Malhação fosse feita na França (sim, sim, eu vi essa comparação no Omelete! XD) seria isso. Uma personagem que todos acham fenomenalmente linda (e não querendo desmerecer a Léa Seydoux, mas, sinceramente, para mim ela é uma garota bem comum), dois rapazes gatos que a desejam a todo custo, misturados com uma dose de personalidade sem-graça e nós temos a receita secreta para se fazer A Bela Junie, a saga Crepúsculo e tantas outras coisas que têm surgido por aí. 

Sinceramente, quando terminei de assistir esse filme só consegui pensar que o Christophe Honoré me devia um bom dinheiro por perder meu tempo assistindo isso (me condenem!). O enredo não é grande coisa, a edição não é grande coisa e a trilha sonora não é grande coisa. Na verdade, nada nesse filme é grande, me parece apenas um amontoado de confusões adolescentes e pessoas se apaixonando por outras sem nenhum motivo aparente. E os personagens.... Ah!, os personagens. Os mais interessantes são os secundários, ou aqueles que não tem um fim tão bom assim... (como eu gostaria de poder soltar um spoiler agora!).

E, claro, além do fato de o filme todo ser uma enrolação sem fim, há também uma tentativa ridícula de mostrar outros temas mais interessantes (como homossexualidade e suicídio) e que se houvessem sido bem colocados poderiam ter salvo o filme, quem sabe, mas isso não aconteceu. O que realmente aconteceu foi que os fatos foram jogados ali e isso não influenciou em NADA na vida dos personagens. Na cena seguinte a determinado acontecimento, tudo já estava bem, normal. 

O final é simplesmente patético!

No fim das contas, a única cena realmente interessante é aquela que eu tinha visto lá atrás na TV Cultura. O momento único que fez com que o filme se vendesse a mim era simplesmente o único que valia a pena em um filme de uma hora e meia. Ou seja... Ou eu sou uma pessoa realmente chata, ou você pode ir assistir um filme com a Kate Winslet e não perder tempo com isso aqui (lembrando que as duas alternativas são bem possíveis).

De qualquer forma, aceito opiniões divergentes da minha.

Abaixo vai o trailer:


quinta-feira, 29 de maio de 2014

#Livro 07 - Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias (Edgar Allan Poe)

Título: Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias

Autor: Edgar Allan Poe

Tradutor: Aldo Della Nina

Lançamento: 2006

Idioma Original: Inglês

Páginas: 272

Editora: Saraiva (Coleção Clássicos Saraiva)


Sinopse: Há toda uma aura que envolve o autor dos contos deste livro: Edgar Allan Poe, por sua histórias misteriosas, construídas em cenários sombrios prontos a despertar no leitor fortes sensações, acabou se tornando quase uma lenda. Sua vida conturbada contribuiu muito para firmar essa imagem de escritor romântico atormentado, um pouco como a de nosso Álvares de Azevedo. Neste volume, foram reunidos excelentes contos de Poe (e ele foi um mestre nesse gênero literário, sendo admirado por autores como Julio Cortázar), que dão a exata medida de seu talento, prendendo o leitor na cadeira até o fim de cada história. Entre os contos desta obra estão Assassinatos na Rua Morgue, "O Mistério de Marie Rogêt", "O Escaravelho de Ouro" e "A Queda da Casa dos Ushers". (Retirada do Skoob)

Avaliação: 4 estrelas

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Assassinatos na Rua Morgue e Outras Histórias é, como deve ser notável, um livro de contos. Para uma melhor análise, farei um resumo sobre cada um dos contos e o que achei deles, individualmente. Ok? Ok. (Fãs de A Culpa é das Estrelas gritem com a minha citação!)


* Assassinatos na Rua Morgue (The Murder in the Rue Morgue)

O primeiro conto do volume se inicia com o nosso Narrador nos contando alguns pormenores de sua vida, até o momento em que conhece o ilustre Auguste Dupin, um homem de qualidades singulares no ramo da análise prática dos acontecimentos. Os dois passam a morar juntos depois de uma rápida conexão intelectual e se tornam grandes amigos (não necessariamente nessa ordem). O relato se inicia, de fato, quando uma notícia de um duplo homicídio lhes salta aos olhos enquanto percorriam levianamente a edição vespertina da Gazette des Tribunaux: ASSASSINATOS EXTRAORDINÁRIOS. Duas mulheres, mãe e filha, foram encontradas mortas e mutiladas nos limites de sua propriedade na Rua Morgue. Daí em diante os amigos fazem visitas à casa e Dupin relata ao interlocutor (narrador) todas as suas observações para chegar a resposta final, que é o mistério de todo o conto. 

A maior parte do conto relata as suposições de Dupin e a forma prática como ele expõe o resultado de sua análise ao amigo, que, no caso, é o narrador. Dupin é um homem singular, dotado de métodos próprios e que consegue encontrar uma resposta até nos mínimos detalhes. É aquele tipo de personagem que faz com que você se sinta totalmente inferior intelectualmente, mas que por esse mesmo motivo é tão intrigante e apaixonante.

* O Mistério de Marie Rogêt (The Mystery of Marie Rogêt)

O segundo conto do volume relata a investigação por trás do desaparecimento de Marie Rogêt e é baseado em fatos reais. A personagem, em questão, desapareceu sem deixar rastros e logo foi identificada como uma mulher que havia sido encontrada no rio Senna. Não contentes com essa explicação, Dupin e seu companheiro, o narrador, entram a fundo no mistério em busca de respostas para o curioso mistério.

Esse conto em questão foi baseado no desaparecimento de uma mulher em Nova York. Até o momento em que o conto foi publicada (em 18...) o caso não havia sido resolvido, portanto, tanto Dupin, quanto Poe, viviam de reais suposições. O fato de tanto o narrador, quanto o leitor, estarem no lugar de ouvintes de Dupin torna todas as emoções mais reais, pois você se sente mais impressionado quando está lendo as memórias de alguém que se sente exatamente como você em relação a determinada pessoa ou coisa, no caso, o inexplicável Auguste Dupin.

* O Coração Revelador (The Tell-Tale Heart)

O terceiro conto é um relato de uma mente perturbada que se vê incomodada com uma pequena peculiaridade em um outro personagem e acaba se decidindo por métodos extremos para eliminar essa peculiaridade que tanto o assombra. Poe consegue com muita facilidade passar ao leitor o realismo do que pode ocorrer dentro de uma cabeça com as singularidades da pertencente ao personagem narrador, e nos faz sentir angustiados com cada passo de suas escolhas. Isso tudo em pouco mais de três ou quatro páginas.

* O Gato Preto (The Black Cat)

O quarto conto é também protagonizado por uma mente perturbada. O nosso Narrador é um homem bondoso casado com uma boa mulher, até que repentinamente assume comportamento agressivo e revolto, e acaba por transformar todo o afeto que seu gato, Pluto, lhe dava em ódio, por conta da incapacidade que tinha de transmitir amor a algum ser. 

O conto é marcado pela paranoia do personagem, pela falta de explicações para seus atos, mesmo que ele sempre encontre alguma lógica em tudo aquilo que faz. O Gato Preto marca muito bem o estilo de Poe e sua inclinação para ambientes sombrios, explorando temas de arrepiar todos os pelos da nuca.

* O Retrato Oval (The Oval Portrait)

O quinto conto narra o momento em que um empregado leva seu amo para o interior de um castelo em consequência da ferida deste, e enquanto espera pacientemente pelo amanhecer o personagem se ocupa na leitura de um livro. Na parede ele vê um retrato oval de uma bela moça, e com o livro em mãos encontra a história do retrato, que ele não demora a moldar de acordo com a sua própria imaginação. 

É um conto simples, mas bem escrito, que mantêm as principais marcas da obra de Poe.

* A Máscara da Morte Rubra (The Masque of the Red Death)

O sexto conto relata a história de um grupo de nobres que se refugiam em um castelo enquanto uma doença conhecida como Morte Rubra se alastra pela cidade, matando todos aqueles que atinge. Mixando a realidade com o imaginário, Poe nos proporciona uma leitura intrigante que faz com que se pense à respeito dos próprios princípios e do egoísmo humano. O autor nos leva a divagar por diversos universos à procura de respostas para a crueldade humana. É indicado para aqueles que gostam de interpretar metáforas e pensar à respeito daquilo que está impresso por entre as palavras.

* A Carta Roubada (The Purloined Letter)

O sétimo conto é mais um que conta com a presença do genial detetive Dupin. O caso é sobre uma carta roubada que pode trazer graves problemas para os detentores do poder público. Com algumas explicações por parte do chefe de polícia e o cuidadoso estudo de caso, Auguste Dupin é capaz de nos relatar o mais ilustre dos mistérios com todos os pormenores aos quais pode se ater e solucionar o caso devolvendo a tal carta a quem ela pertence.

Sei que muitas pessoas preferem os dois primeiros contos em se tratando de Dupin, mas como leitora (apenas isso), penso que A Carta Roubada foi, das aventuras do detetive, o conto que mais me divertiu. Talvez por possuir um pouco mais de ação e menos explicação.

* A Queda da Casa dos Usher (The Fall of the House of Usher)

O oitavo conto fala sobre como se escrever o melhor conto da História da humanidade uma visita a uma casa que mais parece mal-assombrada. Nosso narrador recebe uma carta de um amigo que não via fazia muito tempo, convidando-o para passar alguns dias com ele em sua casa por estar sofrendo de um mal que ele teme não poder mais ser curado. Sem hesitar, o narrador se encaminha para o lugar e lá se depara com um grande casarão sombrio, com todas as características de uma casa mal-assombrada (teias de aranha, paredes frias, corredores escuros). Já na casa, Usher diz ao amigo que sua irmã também padece do mesmo mal que ele. E aí, meus amigos... Aí é que as coisas realmente acontecem!

A Queda da Casa dos Usher é um conto sobre loucura. Ele fala sobre vida, ele fala sobre morte, ele fala sobre todas aquelas insanidades que percorrem pela nossa mente, mas em proporções inimagináveis. Poe retrata a casa como se fosse um ser vivo, um ser vivo que tem o poder de influenciar nas atitudes alheias e, mesmo, em suas vidas. E o final... Oh, o final! Simplesmente chocante!

Foi um dos melhores contos do livro.

* A Esfinge (The Sphinx)

O nono conto me parece o mais simples de todos. Se você me pergunta sobre o enredo eu confesso que preciso de algum tempo para pensar. Basicamente o que se passa no conto é que em uma bela manhã (ou tarde, não me lembro) o narrador está olhando pela janela e vê uma criatura totalmente fora dos padrões caminhando pelo parque. Assustado ele fica com aquela imagem gravada na cabeça e se aborrece com o acontecido.

O resto eu não posso falar porque seria spoiler! Mas o fim é bem inusitado, de fato.

* O Poço e o Pêndulo (The Pit and the Pendulum)

O décimo conto é nota dez é de uma complexidade e propriedade sem fim. A história narra a estadia de um prisioneiro dentro de uma cela. E é isso, mas não se engane pelo enredo.

Eu acho, ou melhor, tenho certeza, de que nunca vi algo minimamente parecido com isso. Sou do tipo de pessoa que defende com unhas e dentes a ideia de que "não importa qual é a história e sim como ela foi contado", e... Bem, Poe era um exímio contador de histórias. A cada frase ele penetra em sua mente e faz quase uma lavagem cerebral porque nada mais existe a não ser a escuridão em que se encontra o personagem. Nós lemos, nos vemos e ouvimos, cada passo nas trevas do personagem. Nós sentimos sua angústia, o suor escorre apressadamente e nós nos apressamos para arrumar alguma forma de acabar com aquilo logo. Queremos deixar de sentir aquelas sensações, aquele receio de que nossa vida está por um fio e algumas badaladas de um relógio de pêndulo.

E, oh... ! A cada instante aparecem mais desafios, mais formas de encurralar o personagem e encurralar a nós mesmos e não sabemos como sair dali porque estamos realmente presos naquela temível cilada criado por Edgar Allan Poe. 

* O Escaravelho de Ouro (The Gold-Bug)

O décimo primeiro e último conto tem um estilo um pouco diferente dos demais contos, apesar de continuar singular e com a identidade de Poe estampada em todos os lados. O texto nos narra a aventura de dois amigos depois que um deles encontra um escaravelho de ouro nas proximidades do porto. Junto com esse escaravelho vem a aparente loucura daquele que o encontrou e tudo toma proporções nunca imaginadas pelo leitor.

Cheio de enigmas, a maior marca de Poe, esse conto registra um momento um pouco diferente do autor, relatando uma história de aventura onde há muitas coisas que não esperamos encontrar em uma coletânea de contos de Edgar Allan Poe, mas que por isso fazem com que esse autor se torne cada mais único.


***

De um modo geral, gostei muito do livro. Poe tem um estilo de narrar próprio, portanto, não importa se ele está escrevendo romance policial, suspense ou aventura, ele é único em sua própria essência, em suas ideias e, principalmente, em suas estórias. Se eu tivesse de selecionar um grupo de pessoas para ler sua obra ficaria um pouco confusa porque acho que qualquer um que o lesse poderia se encantar com suas histórias e com a forma com que ele faz as palavras dançarem sobre o papel.

"Eu nunca fui desde a infância jamais semelhante aos outros. Nunca vi as coisas como os outros as viam. Nunca logrei apaziguar minhas paixões na fonte comum. Nunca tampouco extrair dela os meus sofrimentos. Nunca pude em conjunto com os outros Despertar o meu peito para as doces alegrias, E quando eu amei o fiz sempre sozinho. Por isso, na aurora da minha vida borrascosa evoquei como fonte de todo o bem o todo o mal. O mistério que envolve, ainda e sempre, Por todos os lados, o meu cruel destino..."


Ordenação dos Contos em Ordem de Preferência:

1º A Queda da Casa dos Usher
2º O Poço e o Pêndulo
3º O Retrato Oval
4º A Máscara da Morte Rubra
5º O Gato Preto
6º A Carta Roubada
7º O Escaravelho de Ouro
8º Assassinatos na Rua Morgue
9º Coração Revelador
10º O Mistério de Marie Rogêt
11º A Esfinge

Existem realmente muitas adaptações de obras de Poe para o cinema. Vou listar aqui algumas das principais adaptações cinematográficas que são baseadas em contos desse livro:

- A Queda da Casa dos Usher (1928)
- O Gato Preto (1934)
- O Poço e o Pêndulo (1991)
- Assassinatos na Rua Morgue (1971)

Espero que tenham apreciado a leitura. Au revoir!

terça-feira, 27 de maio de 2014

#Livro 06 - Vôo Noturno (Antoine de Saint-Exupéry)

Título: Vôo Noturno


Título Original: Vol de Nuit



Autor: Antoine de Saint-Exupéry



Lançamento: 1931



Idioma: Francês



Sinopse: Baseada provavelmente em um fato real: as horas de ansiedade vividas por ocasião do desaparecimento, nos Andes, do piloto Gillaumet, amigo do autor. Como em Correio do Sul, a experiencia de pioneiro da aviação e o vigor da linguagem poética se reúnem.

Descrição da trágica aventura de um dos pioneiros da aviação, a história deste romance se passa numa época em que o serviço noturno era ainda bastante problemático, pois, às surpresas de uma rota aérea, eram somadas as dificuldades inerentes à realização de um vôo pela noite que dependia sobretudo da ousadia e da perícia do piloto. (Retirada do Skoob)

Avaliação: 3 estrelas

* Li a versão da editora Nova Fronteira, com 134 páginas.


***

Acabo de notar que, ultimamente, tenho estado muito próxima a Literatura Francesa. Talvez isso seja um crédito pelos franceses serem bons em tudo aquilo que fazem. De qualquer maneira, não estou aqui para falar sobre a França, até porque, o livro em questão não se passa na França, apesar do que podem pensar aqueles que lerem o título. 

Para quem reconheceu aquele nomezinho ali em cima, mas não consegue se lembrar de onde, eu os ajudo a se recordar. Antoine de Saint-Exupéry é autor do exímio O Pequeno Príncipe, aclamada obra sobre o principezinho que viaja por diversos planetas quando o equilíbrio do seu próprio é ameaçado. Assim como em O Pequeno Príncipe, nessa obra em questão, o estilo poético do autor está estampado, bem como as sensações que ele nos faz sentir a cada cena, que escreve de uma maneira única.

Sendo um apaixonado pela aviação, Saint-Exupéry nos mostra exatamente quais são as sensações de um piloto em pleno ar e nos entope de citações fantásticas à respeito da natureza da vida, da morte eminente e todas as coisas que nos fazem sentir vivos, mesmo que para isso nós tenhamos que, de fato, arriscar nossas próprias vidas.

Além de poesia, a obra é também marcado por alguns personagens que tornam tudo mais interessante, como o velho Rivière, responsável por aquela linha, que é a perfeita demonstração do que deve ser a imagem de um líder. Rivière nos mostra com muita honestidade quais são os sacrifícios que são precisos para continuar em frente e, também, sabe a hora de se arriscar para salvar aqueles que dele necessitam. Esse personagem nos mostra com muita complexidade o peso de esperar por algo sem poder fazer nada. O piloto Fabien está lá fora, perdido em tempestade e quase sem gasolina. Na sua frente ele vê a esposa do subordinado e só pode pensar que ali estava um outro pesado da vida, e que ele não podia fazer nada para lhe entregar o que a ela pertencia.

O desfecho do livro mostra com muita clareza que, apesar de todas as dificuldades, nós não podemos nos deixar abater pelos desafios. A vida continua seguindo e nós devemos lutar pelas nossas causas e (como diria Walt Disney) continuar seguindo em frente.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

#Livro 05 - O Fantasma da Ópera (Gaston Leroux)

Título: O Fantasma da Ópera

Título Original: Le Fantôme de l'Opéra

Autor: Gaston Leroux

Gênero: Romance

Lançamento: 1909

Idioma: Francês

Sinopse: É noite de gala na Ópera de Paris. Os Srs. Debienne e Poligny se despedem do cargo de diretores da Ópera com um último recital. Porém, nos corredores do teatro, uma figura misteriosa caminha como uma sombra e desaparece sempre que é vista. No subsolo, o maquinista-chefe é encontrado morto. Esse é o legado que os antigos diretores deixam a Armand Moncharmim e Firman Richard: a perturbadora presença do fantasma da Ópera. Ao ignorar os caprichos do Fantasma, os novos diretores têm que lidar com uma trágica seqüência de eventos que culmina no desaparecimento repentino da cantora lírica Christine Daaé. É em meio a esse clima de suspense e de terror que somos levados ao labirinto sombrio que é o subsolo da Ópera de Paris. (Retirado do Skoob)

Avaliação: 4 estrelas

* Li a versão da Editora Ática, com 324 páginas, traduzida por Mário Laranjeira. É a versão mais completa traduzida para o português.

***

O Fantasma da Ópera é precedido pela sua reputação. Sucesso no cinema, teatro e, até, em musicais muito bem sucedidos, está é uma daquelas obras que todos já ouviram falar, mesmo que não saibam, de fato, sobre o que se trata o dito livro. (Isso quando o bendito sabe que existe um livro). É muito comum as pessoas pararem você para dizer: "tem um musical!", quando percebem que você está lendo o livro, como se você não o soubesse. Como se tivesse dinheiro para ir a Broadway ou tivesse permanecido trancado em uma caverna nos últimos cem anos. De qualquer maneira... Ironias à parte, aqui começa a 'crítica', se é que isso pode ser chamado de crítica já que não me vejo com diploma nenhum, além do diploma de 'Cara-de-Pau', para julgar alguma coisa.

Este é um romance que não tem como principal atrativo o romance em si. Claro que há aquelas doses excessivas de juras de amor, culpa de Raoul e Christine que não calam a boca afetuosa um só minuto quando estão em presença um do outro (aliás essa é a única parte no livro em que eu sentia vontade de me jogar de uma ponte para não ouvir/ler tanta bobeira). Mas, de qualquer forma, o romance pueril entre os dois jovens é total e completamente ofuscado pelo mistério d'O Fantasma da Ópera. O mistério que ronda a boca de todos aqueles que frequentam a Ópera de Paris no século XIX.

Erik é um personagem emblemático, misterioso, inteligente, possessivo, mau-compreendido e excessivamente apaixonante. O Fantasma/Amante de Alçapões/Anjo da Música/Erik adotou este nome por falta de um outro, não que lhe faltem títulos que facilmente substituiriam um nome tão comum quanto este. O sombrio personagem é apresentado por diversas perspectivas tornando assim toda a aura ao seu redor instigante. No início é uma lenda, depois uma assombração, finalmente, um ser divino e, posteriormente, um gênio amaldiçoado pela lastimável aparência de sua face.

Como disse o próprio fantasma: "Só me faltou ser amado para ser bom!" Embora seja comprovado que o dito fantasma seria o autor de terríveis crimes (como o próprio sequestro da tolinha da Christine Daaé), ainda fica a sensação de que ele não teve melhores chances da vida, tudo por conta de sua feiúra, é claro. 

Durante a leitura é impossível não se perguntar sobre o que seria de Erik se ele fosse bonito. Um renomado arquiteto? Um respeitável mágico? Alguém que, com toda certeza, seria facilmente reconhecido pela sua genialidade e não precisaria se esconder debaixo da ópera por ser desagradável aos olhos das pessoas. O retrato de Erik é uma versão sombria da intolerância da nossa sociedade desde épocas remotas. Faz muito tempo que as pessoas se preocupam demais com o exterior e esquecem-se completamente do interior.

Dentro da caveira deformada do fantasma havia uma voz que embebia a todos, um gênio que domava todas as portas, um pobre infeliz que sofria por um amor do qual nunca poderia desfrutar porque era feio. Erik é o início, meio e fim deste livro, seu mistério envolve cada palavra contida durante toda a obra. É, de fato, difícil parar até a última página.

O Fantasma da Ópera é marcado por personagens marcantes e instigantes, como o Persa e a sra. Giry, e acontecimentos tragicamente divertidos como o são todas as artimanhas tramadas (ou não) pelo fantasma no intuito de mostrar aos novos diretores, Moncharmin e Richard, quem é que realmente manda na Ópera de Paris. 

Com deliciosas narrativas em ambientes escuros e sombrios, esse livro pode facilmente ser considerado como sendo uma obra gótica, por misturar com tanta destreza romance, horror, ficção, mistério, tragédia e o ingrediente secreto que é a narrativa jornalística de Leroux. Para quem gosta de um bom mistério e um amor tragicamente belo, esse livro é perfeito!




Adaptação cinematográfica de 2004.

#Livro 04 - A Hora da Estrela (Clarice Lispector)

Título: A Hora da Estrela

Autor: Clarice Lispector

Gênero: Romance

Lançamento: 1977

Idioma: Português

Páginas: 87

Editora: Rocco

Sinopse: A história da nordestina Macabéa é contada passo a passo por seu autor, o escritor Rodrigo S.M. (um alter-ego de Clarice Lispector), de um modo que os leitores acompanhem o seu processo de criação. À medida que mostra esta alagoana, órfã de pai e mãe, criada por uma tia, desprovida de qualquer encanto, incapaz de comunicar-se com os outros, ele conhece um pouco mais sua própria identidade. A descrição do dia-a-dia de Macabéa na cidade do Rio de Janeiro como datilógrafa, o namoro com Olímpico de Jesus, seu relacionamento com o patrão e com a colega Glória e o encontro final com a cartomante estão sempre acompanhados por convites constantes ao leitor para ver com o autor de que matéria é feita a vida de um ser humano. (Retirado do Skoob)

Avaliação: 3 estrelas

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Confesso que quase larguei o livro nas primeiras vinte páginas, mas foi bom que eu não o tenha feito, pois perderia a oportunidade de ler um livro realmente interessante, embora ele tenha lá os seus defeitos. Na verdade, acho que o maior defeito do livro se chama Macabéa e, de alguma forma totalmente estranha, esse é o defeito que torna o livro tão bom. Pois é, pois é, esse é o efeito que Clarice Lispector tem sobre nós.

Mas, enfim, tentando explicar um pouco essa confusão... O fato é que Macabéa é uma jovem absolutamente sem-graça, que tem uma vida absolutamente sem-graça, que é contada por um autor absolutamente sem-graça, mas que juntando isso tudo com um pouco mais de sem-graceza (essa palavra existe? escreve desse jeito?) não se torna nada sem-graça.

O que acontece é que você sente ódio da Macabéa na maior - ou integralmente - parte do texto. Pelo menos, foi isso o que eu senti. Se você for uma pessoa meio sem-graça (desculpe a franqueza, é mal de Olímpico) cheia de paranoias de crise existencial talvez você possa se identificar com essa personagem tão sem sal e sem açúcar, e talvez você tenha uma leitura totalmente diferente da minha, que foi baseada no ódio que eu sentia pela forma como a personagem central se conformava com todas as coisas ruins que aconteciam com ela.

Mas isso tudo o que foi dito (escrito) é muito superficial se formos levar em conta a mensagem que o livro nos trás. Clarice nos mostrou de forma muito simples como seria a vida de uma pessoa invisível, conformista, com uma vida terrível, mas que consegue ainda assim continuar sorrindo. Macabéa não age, no momento em que a maioria de nós se levantaria e imporia as opiniões e planejaria o futuro e viveria a real beleza da vida. Ela apenas continua ali, conformando-se em apenas existir, escutando a porcaria da Rádio Relógio, sem fazer nenhum esforço para ser alguém importante.

Macabéa não idealiza um futuro, quando todos nós vivemos para isso, para o futuro e não para o que realmente está acontecendo ao nosso redor. Talvez a frustração que ela causa ao leitor seja porque ela faz tudo ao contrário, como se fosse exatamente tudo o que a sociedade nos impõe a não fazer. Nós crescemos sob a influência do futuro, estudamos e trabalhamos duro para isso e é incompreensível encontrar alguém que não faça o mesmo que todos.

Mas, é claro, o livro não é feito somente de Macabéa's. Há também o Rodrigo (nosso querido escritor), que é outro moço com um grande problema existencialista que quase faz com que o livro seja abandonado nas primeiras páginas de tantas vezes que ele diz que não sabe como começar a história. Se ele tivesse me pedido um conselho, antes de fazer essa besteirada de uma vez, eu poderia dizer apenas: comece essa p*rra de uma vez! No entanto, apesar de ser também um sem-graça, até mesmo o Rodrigo tem mais ânimo que a Macabéa, a loucura mais louca dele foi apenas se apaixonar por alguém que não existe, sua imperfeita Maca. 

Mas, também, não é feito apenas de sem-graça's como um todo. Há o Olímpico, um malandro com a mão boba que andou matando alguns na velha Alagoas, mas que agora procura uma dama que não se pareça com a chata da Macabéa. Olímpico é delicado como um tijolo, mas apesar do que parece tem um coração enterrado abaixo de toda a armadura. É verdade que é meio grosso, mas todo mundo tem defeitos.

A Hora da Estrela não tem personagens cativantes, um romance épico ou um mistério instigante. São apenas personagens, romances e pequenos mistérios insignificantes. Nada que interesse tanto, nada muito complexo, e, no entanto... Ele espera por você para ser lido!


Adaptação cinematográfica de 1985.


Especial da Rede Globo de 2003.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

#Cinema 01 - Anna Karenina

Título: Anna Karenina

Direção: Joe Wright

Duração: 02h11min

Gênero: Drama

Lançamento: 15 de março de 2013

Sinopse: Século XIX. Anna Karenina (Keira Knightley) é casada com Alexei Karenin (Jude Law), um rico funcionário do governo. Ao viajar para consolar a cunhada, que vive uma crise no casamento devido à infidelidade do marido, ela conhece o conde Vronsky (Aaron Johnson), que passa a cortejá-la. Apesar da atração que sente, Anna o repele e decide voltar para sua cidade. Entretanto, Vronsky a encontra na estação do trem, onde confessa seu amor. Anna resolve se separar de Karenin, só que o marido se recusa a lhe conceder o divórcio e ainda a impede de ver o filho deles. (Retirada do Adoro Cinema)

Avaliação: 4 estrelas


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Anna Karenina é uma explosão de burrice e egocentrismo, isto é claro, falando da personagem e não da obra em si. Eu não sendo formada em nada, posso falar exatamente o que eu achei sobre o filme e tudo, sem precisar me ater a formalidades ou a essa coisa de "ser cautelosa". E eu poderia vir aqui para dizer "é uma porcaria" se quisesse, mas não vou fazer isso, dentre outros motivos, porque seria indelicado - e eu detesto indelicadeza - e porque eu simplesmente não posso falar que esse filme é uma porcaria já que ele é esplêndido!

Acho que a coisa que mais me chamou a atenção nesse filme não foi a história e sim a forma como ela foi contada. Anna Karenina é feito como se fosse uma peça de teatro, existe um palco que é sempre modificado para abrigar a casa dos Karenin, o teatro (de fato), a moradia das senhoras da sociedade, a estação de trem e tantos outros lugares que aparecem no decorrer da história. E tudo isso aos olhos do espectador para que ele tenha a oportunidade de se encantar ainda mais com o que seus olhos vêem. 

A forma teatral, é claro, é uma metáfora para dizer como a sociedade vivia sempre representando. Já as restantes cenas gravadas ao ar livre, a representação da vida da gente do campo mostrando o que é a verdadeira realidade, o que é de verdade.

Direção, edição, atores, eu tenho a pequena grande impressão de que tudo nesse filme é perfeito. A história foi muito bem adaptada (e aqui vos fala alguém que nunca leu Anna Karenina, mas que ouviu a opinião de quem já leu e garantiu isso) e Joe Wright teve a capacidade de encantar até as almas mais duras com a beleza cinematográfica desse filme.

E mesmo que você não goste de Anna Karenina, mesmo que você odeie essa personagem polêmica e burramente apaixonada, mesmo que você se irrite com a aparente santidade de Alexei Karenin, mesmo que um milhão de fatores o afastem desse filme com todas as garras, você deve assisti-lo porque os seres humanos foram feitos para apreciar o belo e Anna Karenina é nada mais do que a singela beleza que o cinema pode nos oferecer. 

Eu recomendo Anna Karenina porque é a beleza da Arte (e do Jude Law) e a oportunidade que você tem de aprender a julgar a verdadeira essência de um filme de verdade. (E também porque, para quem não conhece a história e fica ansiando avidamente pelo final, eu garanto que é daqueles filmes cujo o fim vale todo o esforço que você teve durante as duas horas de filme passando raiva com esses personagens facilmente irritáveis).