A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. (Chaplin)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

#Livro 08 - Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)

Título: Crime e Castigo

Título Original: Prestuplenie i Nakazanie

Autor: Fiódor Dostoiévski

Tradutor: Paulo Bezerra

Lançamento: 1866 [originalmente]

Idioma: Russo

Páginas: 568

Editora: 34

Sinopse: Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petesburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César e Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para perservar sua dignidade contra as várias formas da tirania. (Retirada do Skoob)

Avaliação: 5 estrelas

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Crítica


Esse é daqueles livros que te deixa, literalmente, de boca aberta.

Crime e Castigo não é apenas um livro sobre homicídio e suas consequências, é um livro sobre a lucidez da loucura e sobre as artimanhas arquitetadas pela mente humana. Raskólnikov, o personagem central da trama e autor do dito homicídio, é um labirinto de possibilidades. As nuances desse personagem são tantas que fica até difícil a descrição em palavras, a não ser, é claro, que você seja Fiódor Dostoiévski e tenha completo domínio perante estas nobres companheiras dos literatos. Raskólnikov é um intelectual, um louco, um idealista, um nobre, um niilista, um miserável, um covarde, um calculista, um arrependido, um erro, uma infinidade de alegorias. 

O livro se inicia com uma caminhada sem rumo de Raskólnikov que acaba o conduzindo a uma taberna, onde ele conhece o ex-funcionário público Marmieládov, um bêbado miserável que senta-se em sua mesa e, de uma hora para outra, começa a lhe narrar toda a sua história de vida (fato que não faz sentido a princípio... repetindo, a princípio). Já nesse início é possível de ser perceber que essa narrativa ainda vai possuir muitas reviravoltas. No decorrer do livro durante vários momentos nós temos a narrativa intercalando entre o protagonista e outros personagens que aparecem durante a narrativa apenas para nos instigar mais, entre eles Razhumíkin (ex-colega de universidade de Raskólnikov) e Svridrigáilov (que já é outra história...). Essa divergência de pontos de vista só contribui para enriquecer a narrativa e esclarecer pontos fundamentais da história, onde são plantados outros mistérios e reviravoltas que são capazes de te prender até o final da história. 

É impossível de se ler Crime e Castigo sem se pegar completamente fascinado pelas absurdas teorias de Raskólnikov (e dos outros tantos personagens). A mais famosa, e que é a responsável pelo regimento de todo o livro, é a "teoria do homem extraordinário", que tem como ideia central a de que homens como Napoleão (e Raskólnikov é particularmente fascinado por este) passaram por cima de conceitos há muito pregados na nossa socidade e que foram absolvidos destes pelos atos que vieram a consumar posteriormente. Na prática, ele dizia que um homem (da classe dos "homens extraordinários") poderia praticar atos considerados errados - e ou - cruéis (como matar, por exemplo) e depois recompensar a todos com os benefícios que aquilo traria. Mas é claro que essa privilegiada casta dos "extraordinários" era consideravelmente pequena e que a maior parte do 'rebanho' terrestre é, na verdade, de indivíduos "ordinários", ou seja, que existem apenas para dar continuidade a linhagem do homem até que venha a existir um homem "extraordinário".

Raskólnikov, obviamente, considerava-se um homem "extraordinário", e por isso, sua maior preocupação depois de cometer o crime não era causada por um possível arrependimento, mas sim pelo seu medo de ser descoberto. Mas dizer que Raskólnikov é apenas um jovem perturbado, com pouco dinheiro e muita inteligência é um pouco vago. O caráter do personagem é algo que, por diversas vezes, se torna questionável. É natural de se pensar que uma pessoa que matou outra só pode ter lados ruins, mas Dostoiévski consegue nos mostrar que, apesar do fatídico momento macabro protagonizado pelo rapaz, ele é sim capaz de muitos atos totalmente opostos e com intuito benevolente. 



Personagens

Raskólnikov, ou Ródion Romanovitch, ou tantos outros nomes que aparecem para designar esse mesmo personagem, é, como já foi possível de se perceber, o personagem principal e talvez o mais fantástico (de todos os tantos fantásticos) personagens deste livro. Ele é hipocondríaco, passa a maior parte do tempo doente (o que, de verdade, trás uma aura singular a todo esse caráter sombrio do livro), aprecia a solidão, não gosta muito de falar e não costuma prestar atenção na fala dos outros. Irritadiço, um pouco insano e excessivamente inteligente. Não costuma beber, e não é particular apreciador da libertinagem, mas não costuma julgá-la, de fato. Tem um caráter forte - e como já dito - questionável, visto que ele foi capaz de matar uma - duas - pessoa (embora esse fato se mostre tão mais amplo no decorrer da obra) e ainda assim doar enormes quantias de dinheiro (que ele mesmo precisa) para pessoas mais necessitadas.

Razhumíkin, ou Dmitri Prokóvith, é um jovem que, assim como Raskólnikov, abandonou a universidade por falta de recursos. Razhumíkin é, provavelmente, o personagem que mais me encantou na história e não porque ele seja o estereótipo perfeito de príncipe encantado, mas porque ele é o estereótipo perfeito do que é um ser humano. É um rapaz com fortes princípios, idealista, leal e (até onde é possível) responsável, mas com um grande fraco pela bebida que ele luta para controlar. 

Sônia, ou Sófia Semeónovna, é filha do ex-funcionário público Marmiéladov e é levada a se embrenhar em um mundo duvidoso para conseguir o sustento da família. É descrita como uma jovem mocinha franzina, muito tímida, não especialmente bonita, mas capaz de chamar atenção de muitos homens. É dedicada e fortemente ligada a Deus (fato que chega a incomodar o protagonista em dado momento da história).

Dúnia, ou Avdótia Romanóvna, é a irmã mais nova de Raskólnikov. É uma jovem inteligente e decidida que se muda com a mãe para São Petersburgo depois de arranjar casamento com um senhor a quem o irmão não demonstra particular simpatia. Trabalhou como governanta enquanto estava no interior e foi vítima de uma acusação envolvendo o marido de sua patroa, da qual foi posteriormente abssolvida. 

Svidrigáilov é um homem misterioso que acabou de perder a esposa - que era, no caso, a antiga patroa de Dúnia - de forma um tanto trágica. Ele chega em Petersburgo um pouco depois da irmã de Raskólnikov e suas intenções são um prato cheio que entrete o leitor até os últimos instantes. 

Piotr Petrovich é um homem de negócios que se oferece para casar com Dúnia depois que acontece um escândalo envolvendo o nome da mesma na cidade onde antes residia. (Particularmente odiável este personagem, diga-se de passagem)

Catierina Ivanóvna é a esposa de Marmiéladov. É tísica (tuberculosa) e mãe de três crianças pequenas (além de fazer as vezes de mãe para sua enteada Sônia). Vive delirando, mas, apesar de tudo, nota-se ser uma pessoa de caráter nobre. 

Nota¹: Desculpem-me se algum nome estiver escrito errado (sabe, o russo ainda me confunde).



Conclusão

Dentre tantas coisas, Crime e Castigo é também um prato cheio em se tratando de crítica social. A grande parte dos personagens do livro vive em condições de extrema pobreza, fato que Dostoiévski sabe expressar com inigualável mestria. As descrições de ambiente são espetaculares e trazem o estado psicológico dos personagens impregnado. Enquanto você percorre os olhos pelas linhas que descrevem o cubículo abafado de Raskólnikov é como se estivesse percorrendo os olhos pelo constante estado de sufocamento expressado pelo personagem por se encontrar em uma terrível encruzilhada.

Por fim, Crime e Castigo é indicado para quem aprecia a exploração do estado psicológico dos indivíduos, intensas críticas sociais e, acima de tudo, uma boa leitura. 

Au revoir!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

#Cinema 02 - A Bela Junie

Título: A Bela Junie

Título Original: La Belle Personne

Direção: Christophe Honoré

Duração: 1h30min

Gênero: Comédia Dramática

Lançamento: 17 de setembro de 2008

Sinopse: Junie (Léa Seydoux) é uma garota de 16 anos que se mudou após a morte de sua mãe. Ela passa a estudar na mesma turma que seu primo Matthias (Esteban Carvajal-Alegria), que a apresenta aos demais colegas. Todos os garotos logo desejam sair com Junie, mas ela escolhe o mais calado de todos, Otto Clèves (Grégoire Leprince-Ringuet). Porém logo Junie descobre o grande amor de sua vida: Nemours (Louis Garrel), seu professor de italiano. (Retirada do Adoro Cinema)

Avaliação: 2 estrelas


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La Belle Personne, ou em português, A Bela Junie, é um filme que ansiei durante muito tempo para assistir. Meu primeiro contato com ele foi dos mais intensos possíveis, estava trocando de canal na televisão, como bela desocupada que sou, e resolvi parar na TV Cultura por conta de uma música francesa que tocava naquele momento. A música vinha acompanhada de uma cena comovente e chocante e, no mesmo instante, decidi que eu iria assistir aquele filme o mais rapidamente. 

Pois bem, passaram-se cerca de três anos desde aquele dia e eu finalmente pude assistir o tal filme e compreender a tal cena. E... Certo. Não acredito que esperei três anos para isso! >:(

Como já é possível de se notar na própria sinopse, A Bela Junie não é um prato cheio em originalidade. Digamos que se a Malhação fosse feita na França (sim, sim, eu vi essa comparação no Omelete! XD) seria isso. Uma personagem que todos acham fenomenalmente linda (e não querendo desmerecer a Léa Seydoux, mas, sinceramente, para mim ela é uma garota bem comum), dois rapazes gatos que a desejam a todo custo, misturados com uma dose de personalidade sem-graça e nós temos a receita secreta para se fazer A Bela Junie, a saga Crepúsculo e tantas outras coisas que têm surgido por aí. 

Sinceramente, quando terminei de assistir esse filme só consegui pensar que o Christophe Honoré me devia um bom dinheiro por perder meu tempo assistindo isso (me condenem!). O enredo não é grande coisa, a edição não é grande coisa e a trilha sonora não é grande coisa. Na verdade, nada nesse filme é grande, me parece apenas um amontoado de confusões adolescentes e pessoas se apaixonando por outras sem nenhum motivo aparente. E os personagens.... Ah!, os personagens. Os mais interessantes são os secundários, ou aqueles que não tem um fim tão bom assim... (como eu gostaria de poder soltar um spoiler agora!).

E, claro, além do fato de o filme todo ser uma enrolação sem fim, há também uma tentativa ridícula de mostrar outros temas mais interessantes (como homossexualidade e suicídio) e que se houvessem sido bem colocados poderiam ter salvo o filme, quem sabe, mas isso não aconteceu. O que realmente aconteceu foi que os fatos foram jogados ali e isso não influenciou em NADA na vida dos personagens. Na cena seguinte a determinado acontecimento, tudo já estava bem, normal. 

O final é simplesmente patético!

No fim das contas, a única cena realmente interessante é aquela que eu tinha visto lá atrás na TV Cultura. O momento único que fez com que o filme se vendesse a mim era simplesmente o único que valia a pena em um filme de uma hora e meia. Ou seja... Ou eu sou uma pessoa realmente chata, ou você pode ir assistir um filme com a Kate Winslet e não perder tempo com isso aqui (lembrando que as duas alternativas são bem possíveis).

De qualquer forma, aceito opiniões divergentes da minha.

Abaixo vai o trailer: