Autor: Gustavo Bernardo
Gênero: Romance
Lançamento: 2012
Idioma: Português
Páginas: 148
Editora: Vida Melhor
Sinopse: Uma bela paciente numa clínica de doentes mentais. Um médico acostumado a lidar com dores físicas e da alma de seus pacientes aos poucos vê que essas também se tornam suas. Seria seu diagnóstico imparcial ou a atração por aquela que se diz filha de Machado de Assis o que influencia? Um romance tocante, no qual um homem vê-se reduzido e enredado entre os limites da doença psiquiátrica e da memória, que reconstrói e transforma a realidade.
Avaliação: 3 estrelas
***
Loucura, loucura, loucura... ! Isso é o que melhor define as 148 páginas de A Filha do Escritor. O livro é narrado em primeira pessoa pelo Dr. Joaquim e se inicia quando uma moça sem identificação aparece em uma clínica psiquiátrica dizendo ser filha de Machado de Assis, escritor falecido há mais de 100 anos. Rapidamente o médico diagnostica a paciente como esquizofrênica, mas percebendo diversas peculiaridades no seu quadro passa a se empenhar muito mais no caso da mulher do que em todos os outros pacientes do hospital.
A narrativa tem uma particularidade muito interessante, principalmente, pelo fato de que o narrador a todo momento conversa com o leitor como se eles estivessem cara a cara. Parágrafos como o que vem a seguir são bastante frequentes no decorrer da obra:
"Está me acompanhando? Seu sorriso levemente irônico me incomoda, como se essa história não fosse novidade para a vossa senhoria. Mentira, decerto nunca a leu. Você não tem cara de ser um bom leitor. Então, por favor, continue me acompanhando."
O livro é brilhante em sua simplicidade. Pouquíssimos personagens, uma estória curta e bem contada, apesar de haver, é claro, aqueles defeitos pequenos porque ninguém é perfeito, não é? Em alguns momentos da narrativa fica cansativo ler apenas sobre a obsessão do doutor pela aparência física da paciente (que é descrita como sendo extremamente bonita), mas esses momentos não se perduram por muito tempo porque logo o doutor já está nos chamando a atenção, dizendo que não gosta de nossas piadas e indo apanhar na gaveta a famosa garrafa de uísque.
Confesso que eu já imaginava o final (que, aliás, é muito parecido com o de uma estória minha que escrevi algum tempo atrás), mas mesmo assim, não deixa de ser interessante ler sobre ele pelas palavras do próprio escritor/personagem.
É um livro recomendado para quem se interessa por disfunções mentais, Machado de Assis e paixão possessiva.

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